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Mostrando postagens de Abril, 2017

Pirralho

Centenas de dias haviam se passado, mas a bermuda era a mesma, jeans azul totalmente desbotada, rasgada nas coxas, o zipper não fechava mais, os bolsos furados. A camisa, essa ele evitava vestir o quanto pudesse, só tinha uma que havia roubado a poucos dias, a anterior já estava imprestável. A idade? Treze ou quatorze uma coisa assim, não fazia muita diferença, pra ele o que importava era viver o hoje. Pela manhã ficava por perto da padaria, fazia aquela cara de fome e sempre tinha alguém que dava um pãozinho, um salgadinho, uma coisinha assim. Viciado? Claro que sim. Na rua sem cheirar e sem fumar como é que vive? No semáforo ganha uns trocados mas tem que ficar esperto, não pode ficar com dinheiro graúdo, esses ele escondia lá no terreno baldio, atrás da casa abandonada dentro de uma lata, bem no canto do muro onde o mato cresceu e ficou bem alto. Pirralho, esse apelido é porque parece que não cresce, não se sabe se é genética ou desnutrição. O coitado é magro que as costelas parece…